Em recuperação e prestes a voltar para o Acre sofro ainda com os incômodos das sequelas da agressiva intervenção cirurgica. Resumo-a assim: ela fragiliza até a alma do sujeito.
Dói o peito, dói a perna – de onde foram tiradas as safenas.
Tive dois retornos no Incor, em dois dias seguidos. O primeiro foi ao médico, que alterou a receita aumentando o número de remédios e redobrando os conselhos para mais repouso.
Repouso absoluto.
Também fiz retorno para o curativo: apemas para constatar uma necrose na coxa, suspender o remédio que vinha passando e substituí-lo pela papaína, uma loção manipulada e antiga. Ela deve destruir a crosta preta que se forma até curá-la.
Alegam que o processo levará de dois a três meses.
A boa notícia fica por contas das visitas que recebei.
Primeiro foi a do parceiro das letras Dandão, que cumpre seus últimos anos de doutorado em aqui em São Paulo. Está mais gordo. O humor continua o mesmo. A inteligência continua sofisti8cado. E o jeitão acreano de ser ainda se esbanja com carinho. Papeamos por mais de uma hora.
Foi agradabilíssimo. De lambuja ganhei um exemplar autografado de seu último livro: Trilhas Urbanas, de edição caprichada. É minha leitura atual, enquanto convalescente.
Afonso Sávio, uma espécie de anjo do asfalto, um poeta, ex-seminarista, que conheci na emergência, também visitou-me rapidamente. Disse boas palavras e deixou um pouco de sua aura positiva no ambiente.
De resto estou ansioso para voltar.
PS: Em definitivo concluí o meu romance, O ESCARAVELHO DE FLORESTA, que agora vou remeter para revisão. Publico-o ano que vem.
A todos um abraço.
Deve-se esquecer de si próprio pela família; deve-se esquecer da família por sua aldeia; deve-se esquecer da própria aldeia pela nação; e deve-se esquecer de tudo em prol da iluminação: não viva no passado, não sonhe com o futuro, mas concentre a mente no momento presente. (BUDA)
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
sábado, 23 de outubro de 2010
O acaso não é por acaso
Meu bom e generoso compadre, Stélio, realmente a porra do acaso foi extremamente bondoso conosco, estamos vivos, e a vida enquanto vida, ela simplesmente é.
Chutar a bola da vida é tudo que deve ser;
É arma de um artista que quer ver acontecer no reino bem-amado os frutos dos que amam a terra.
As perspectivas do caminho estão abertas;
Os frutos não podem se estragar;
O desejo e o amor pela terra devem reinar.
A dádiva do acaso, que nos permite bons encontros, é generosa e nos pede intensidade.
O homem que não pára para refletir corre o risco de perder os passos.
O homem que não tem tempo para si não tem audácia para vencer com serenidade.
O fim do pensamento criativo é o começo da escravidão da liberdade.
Nobre compadre, Stélio, sejamos vulcânicos em nossas ideias para rompermos com as consciências medianas.
Congratulações filosóficas!
Viva a filosofia trágica que não tem medo de arriscar sempre novos horizontes, pelo fato de acreditar no homem e no instante que a vida proporciona!
Guilherme da Silva Cunha
Filósofo trágico
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
O coração do poeta trágico!
Stélia Castro
Queria estar aí contigo e ter o poder da cura. Ia tirar toda dor e desentupir suas veias e o sangue correria livre...
É difícil, para todos que amam você, passar por uma situação como esta, pra você principalmente na condição de enfartado, correndo riscos de vida. Mas pra nós que te amamos e estamos longe é uma agonia constante. Eu fui te ver, mas parece que não fiz nada de útil. Queria te tirar da maca, te levantar e fazer-te curado. Não pude, não posso. E, ao voltar, continuo aqui numa agonia constante... Impacientemente... Espero a tarde cair para falar com a tia Rosângela e ter notícias tuas.
Mas você está em boas mãos.
Graças a Deus a cirurgia já passou, nunca senti tanto nervoso e nem tanta dor de barriga quanto naquele dia (o dia da cirurgia). Eu e tia Rosângela - na recepção do Incor – esperávamos, ansiosas, notícias suas da sala de cirurgia. Eu andava de um lado para o outro encarando a recepcionista, para que ela não esquecesse que estávamos ali aguardando noticias suas. E a tia Rosângela, aparentemente calma, conversava com as pessoas que sentavam ao seu lado e contava as suas histórias de tristeza e esperança.
Minha tia levou iogurtes e frutas para passarmos o dia no hospital.
E não pude deixar de notar que, sem aparentar nervosismo, tia Rosângela tomava um iogurte atrás do outro, e comia uvas, comia uvas e tomava iogurte... Tomou quatro iogurtes! Cada um em uma golada só! Mas também nem almoçou, a bichinha...
De repente gritam da recepção:
- Antonio Stélio!
Eu, como já estava grudada no balcão da recepção, olhei para as cadeiras do lado para chamar minha tia. E como um mestre dos magos, tia Rosângela já aparece atrás de mim!
Disse a recepcionista:
- O cirurgião quer falar com vocês, terceiro andar.
E fomos. Sem dizer uma palavra. Ambas com um frio terrível na barriga e segurando a caganeira repentina. No elevador minha tia diz: - Vamos subir! Subir! - Caso alguém, no elevador lotado, quisesse descer ao subsolo. Ah, ela não deixaria!
Chegamos ao terceiro andar e continuamos na agonia da espera pelo cirurgião. Fitamos a sala de cirurgia não sei por quanto tempo. Então, sai um senhor de bigode branco que, em poucos minutos disse:
- Foi uma cirurgia difícil. Uma veia estava 100% entupida. A cirurgia garante 50% a 60%. Agora ele está em observação para ver como responde. De 40% a 50% depende da reação do corpo dele. Só dele.
Agradecemos e saímos.
Pai, você ficou mais de uma hora em observação, então te levaram para a UTI Cirúrgica, e só podemos te ver as 18:30. Você estava branco, pálido. Respirando pela máquina, tinha um tubo em sua boca. Tinha sondas. Enfim, quase todos os processos importantes de seus organismos sendo feito por máquinas e equipamentos. Fiquei impressionada. Impressionada com a dimensão da cirurgia, em como é agressiva. Ficamos conversando com você, mesmo sedado. Rosângela dizia:
- Força poeta do amor trágico!
E eu:
- Força pai! Agora é com você, te amo e estou aqui do seu lado.
E gostaria de vê-lo se recuperar, mas os deveres... Porém, minha tia não esquece de ligar depois da visita e me conta cada detalhe das novidades. É tão bom quando ela liga. De alguma maneira me sinto mais perto de você.
Eu te amo!
E estou com saudade, sempre! É minha (nossa) sina.
Estou doida para ver você recuperado, forte, como sempre te vi. Estou ansiosa para ver você sorrindo deliberadamente e xingando ditadores!
Então, fico a lembrar das noites que podemos ainda jantar no restaurante Água na Boca, você tomando uma taça de vinho. E eu te acompanho. O cardápio: uma salada variada para você e um filé a parmegiana para mim. E o Lian, com uma coca-cola fazendo piadinhas com você... Risos!!! Pode convidar quem mais quiser, afinal, a prole é grande...
Amo-te, poeta do amor trágico (como diz tia Rosângela).
PS: Tia Rosângela tem o coração maior que São Paulo. Ah! Bem maior! Te amo, tia!
terça-feira, 19 de outubro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Um susto de quase nadar, nadar, e morrer na praia
Só me faltava essa: depois e enfrentar mais de um mês essa luta quase me vi escafedendo-se de vez, por causa de uma transfusão de sangue, na reta final da recuperação. Com a hemoglobina baixa colocaram-me para receber um concentrado de hemáceas para solucionar o problema.
Depois de uma enorme dificuldade em que o enfermeiro teve de achar uma veia boa, para colocar o acesso, visto que os dois braços estão mais do que machucados por picadas diárias de agulhas, os gotas começaram a cair.
Com o passar de apenas 20 minutos tive uma tremedeira tão grandes, incontrolável e exasperante, que pensei estar tendo um ataque epiléptico. Não era. A reação que tive chama-se choque pirogênico, que pode matar. Ou seja, poderia ter morrido, depois de todo esse esforço.
O que tive, tecnicamente, está assim registrado nos manuais médicos:
Choque Pirogênico: caracteriza-se por reação devido a presença de pirogenos e contaminação de soluções de materiais utilizados na administração por via endovenosa. Tratamento do Choque: O choque é uma complicação gravíssima e quando não tratada a tempo pode levar o paciente á morte. De um modo geral, o tratamento baseia-se em corrigir o volume, reestabelecer o tônus vascular, manter a oxigenação do paciente, evitar o gasto de energia, prevenir complicações e combater a causa básica do choque.
Mas, estou tendo alta hoje. Saio do Incor, mas com o compromisso de ficar em São Paulo, por pelo menos um mês, para dois breves retornos: um para verificar os curativos das feridas à perna, de onde foram tiradas pontes de safenas; e, outro, simplesmente ambulatorial, um retorno médico para verificar a situação do desdobramento da cirurgia propriamente dita.
Para encerrar esta postagem, publico o poema de um estranho poeta. Afonso Sávio, que me visitou, quando estava na Emergência:
É a vida muito engraçada,
Quando ao lado reparamos.
A realidade parece traçada,
Quando com ela deparamos.
Sentindo, subitamente, mal
Ao PS, rapidamente, procurei.
Enquanto resultado total
De exames aguardei,
Curioso, o vi lendo livro estranho.
Aproximei-me e logo entabulei
Conversa animada.Felizes amigos,
Então, ficamos. E e.mails trocamos.
Sorrir ainda é ótimo remédio
Para quem se encontra no hospital.
Não deixando se abater
Sempre conseguirá vencer.
sábado, 16 de outubro de 2010
Compadre, tu estás fazendo a tua parte, cabe agora, a porra de o acaso ser generoso conosco!
SOLILÓQUIOS TRÁGICOS
Amo enquanto amo sem encontrar uma fronteira ou um ponto eqüidistante para limitar o Amor; por isso vivo a vida como uma simultaneidade que nunca deixou de ser, ardentemente, generosa comigo.
Minha posição diante do Belo é de extrema admiração, pois o que me encanta é a força do poder do signo traçado e representado no meu imaginário. Aprecio muitíssimo a Alma forte livre dos preconceitos.
Encaro sempre o olhar dos outros e tento identificar o meu nos deles, pois ainda sou um narcisista até o ponto de adotar bons livros para espelhar-me. Mas quem não usa artifício para falar do ser?
Andar na contramão também é uma forma de Vida. Deixar reinar os instintos é encarar a vida com a vontade de um Leão e adquirir vitalidade para suportar os espíritos decadentes!
Do desejo de aceitação do Outro há uma seta sinalando que o encontro pode ocorrer em muitas posições.
O ato não quer demasia, mas o sereno bailar que a Vida conspira para o viajante que ama...
Dos respingos dos olhares cria-se um páthos de que o presente se faz dádiva e pede intensidade!
O contentamento do bom encontro é uma forma de entender, que o momento feliz é intenso, mas passageiro...
Aproveitar bem o momento feliz é uma resposta de quem ama, nudamente, e valoriza o encontro como momento mais importante de sua vida!
Recordar é recriar um novo espaço, baseado nos ditames do Acaso, pois somente através dele quando, então, percebemos que em cada encontro tudo é diferente e que nos tornamos novos admiradores: um do outro.
O gosto intenso pela vida pode nos proporcionar a alegria de ver o jardim florido dos corações enamorados...sem olvidar que cada coração pode carregar o doce sentido da existência por meio do artifício do amor.
A arte do intenso viver é a presença do encontro de corpos que se amam, sem nenhum julgamento do antes ou de um possível depois; mas que se maravilham com o pulsar do instante.
Na hermenêutica do olhar não é suficiente só decodificar alguns signos, mas significar alguma coisa para quem o observa; e aventurar a cada dia um novo encontro.
No jogo aberto do amor não há vencedor e muito menos perdedor, pois neste jogo não existe oposição dualista do Bem e do Mal, mas tão só a diferença que atrai.
Viva a Vida! Viva a nossa amizade! Do eterno amante da filosofia e mensageiro do poeta Zaratustra no Acre. Amém!
Guilherme da Silva Cunha
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Meus amigos, meus inimigos
São Paulo, 13 de outubro de 2010 – 22:00 hs
Passavam das onze horas da manhã quando fui tirado do leito 4007 na UTI número um do Centro de Recuperação do Incor. A cirurgia foi um sucesso: três pontes de safenas e uma mamária salvaram-me a vida.
Estou feliz com isso.
Depois da cirurgia acordei entubado e cheio de drenos pelo corpo, a boca com aparelho e as dores surgindo com o fim da anestesia. Fiquei transtornado.
Mas, nada podia fazer: estava amarrado.
Não me lembrava de muita coisa. Teria que passar de dois a três dias na UTI, mas acabei ficando lá oito dias. Houveram pequenas complicações sanadas com rigor pela equipe. Uma tomografia selou minha liberação e pôs fim ao calvário de ser levado em maca entre corredores olhando o claro e escuro das luzes do teto.
Somente agora tive acesso ao computador. SS escrevera três mensagens. A primeira: por presunção acredito que ainda estejas vivo e incomunicável, certo? Assim sendo: arribe dessa cama de pré-defunto e retorne ao mundo insano que te apraz! Ou, se presumi erroneamente mande uma mensagem psicografada (de preferência por um espírito iluminado que saiba a ordem da próxima mega-sena), para que eu possa carpidar adequadamente....
O segundo texto dela está mais para uma estrofe poética pós-modernista, ou um de seus lampejos recheados de alguma coisa que, talvez, nem ela mesma saiba definir. Eis o curto texto: - Criança feliz... Abriu o coração e escapou! Por um triz... Fique jubiloso, energúmeno. Uma nova chance... Para você. Conhecer a doce, meiga, carismática e modesta amazonense que o sol acreano já cobriu (Euzinha!) Não desperdice! – Bem, eu já morei em Manaus um tempo, fiz o ginásio por lá. E posso asseverar que não é regra das amazonenses terem qualquer atração por energúmenos. SS deve ter adquirido esse contágio em suas andanças e aventuras.
O terceiro texto dela retomou o espírito inicial. Aquele de fazer biquinho. Ei-lo: - Anseio, mon ami, que estejas bem. Como se deseja no teatro, antes de uma estréia? - MERDE. Que você esteja com a garganta em fogo. Que seu pinto esteja entubado. Que seu peito esteja com uma mega cicatriz. Mas que, acima de tudo, estejas vivo. O mais, tudo se resolve, em consonância com as determinações divinas. Acredito que DEUS há de ser benevolente com você, filósofo. Na verdade já o demonstrou (permitindo que você me conhecesse... Ahahah). Desculpe mon ami, mas acredito que nunca ficarei circunspecta na vida.
Descanse.....
É tudo que desejo agora. Descansar. Por isso escrevo de maneira pausada. Depois de construir uma frase, paro e respiro. Cansa-me tudo. Tudo o que mais gosto é de escrever: matam-me se me tirarem isso em vida. Mas, no momento, está sendo doloroso fazê-lo.
Quando saí da UTI e deitei-me neste novo leito, a TV estava ligada. Acompanhei através de um destes canais vinte e quatro horas todo o processo de resgate dos mineiros chilenos, um a um, até do salvamento de todos eles.
A única sensação diferente que sinto hoje, após retomar um pouco da vida normal, é que a possibilidade da morte que se me avizinhava, não mais me ameaça.
Nem mais os trinta e três mineiros do norte da Atacama. Felizmente. Cansei, vou postar esse texto e tentar dormir, pois uma enfermeira acaba de me enfiar goela a baixo dois comprimidos, um deles, sedativo. Boa noite.
Passavam das onze horas da manhã quando fui tirado do leito 4007 na UTI número um do Centro de Recuperação do Incor. A cirurgia foi um sucesso: três pontes de safenas e uma mamária salvaram-me a vida.
Estou feliz com isso.
Depois da cirurgia acordei entubado e cheio de drenos pelo corpo, a boca com aparelho e as dores surgindo com o fim da anestesia. Fiquei transtornado.
Mas, nada podia fazer: estava amarrado.
Não me lembrava de muita coisa. Teria que passar de dois a três dias na UTI, mas acabei ficando lá oito dias. Houveram pequenas complicações sanadas com rigor pela equipe. Uma tomografia selou minha liberação e pôs fim ao calvário de ser levado em maca entre corredores olhando o claro e escuro das luzes do teto.
Somente agora tive acesso ao computador. SS escrevera três mensagens. A primeira: por presunção acredito que ainda estejas vivo e incomunicável, certo? Assim sendo: arribe dessa cama de pré-defunto e retorne ao mundo insano que te apraz! Ou, se presumi erroneamente mande uma mensagem psicografada (de preferência por um espírito iluminado que saiba a ordem da próxima mega-sena), para que eu possa carpidar adequadamente....
O segundo texto dela está mais para uma estrofe poética pós-modernista, ou um de seus lampejos recheados de alguma coisa que, talvez, nem ela mesma saiba definir. Eis o curto texto: - Criança feliz... Abriu o coração e escapou! Por um triz... Fique jubiloso, energúmeno. Uma nova chance... Para você. Conhecer a doce, meiga, carismática e modesta amazonense que o sol acreano já cobriu (Euzinha!) Não desperdice! – Bem, eu já morei em Manaus um tempo, fiz o ginásio por lá. E posso asseverar que não é regra das amazonenses terem qualquer atração por energúmenos. SS deve ter adquirido esse contágio em suas andanças e aventuras.
O terceiro texto dela retomou o espírito inicial. Aquele de fazer biquinho. Ei-lo: - Anseio, mon ami, que estejas bem. Como se deseja no teatro, antes de uma estréia? - MERDE. Que você esteja com a garganta em fogo. Que seu pinto esteja entubado. Que seu peito esteja com uma mega cicatriz. Mas que, acima de tudo, estejas vivo. O mais, tudo se resolve, em consonância com as determinações divinas. Acredito que DEUS há de ser benevolente com você, filósofo. Na verdade já o demonstrou (permitindo que você me conhecesse... Ahahah). Desculpe mon ami, mas acredito que nunca ficarei circunspecta na vida.
Descanse.....
É tudo que desejo agora. Descansar. Por isso escrevo de maneira pausada. Depois de construir uma frase, paro e respiro. Cansa-me tudo. Tudo o que mais gosto é de escrever: matam-me se me tirarem isso em vida. Mas, no momento, está sendo doloroso fazê-lo.
Quando saí da UTI e deitei-me neste novo leito, a TV estava ligada. Acompanhei através de um destes canais vinte e quatro horas todo o processo de resgate dos mineiros chilenos, um a um, até do salvamento de todos eles.
A única sensação diferente que sinto hoje, após retomar um pouco da vida normal, é que a possibilidade da morte que se me avizinhava, não mais me ameaça.
Nem mais os trinta e três mineiros do norte da Atacama. Felizmente. Cansei, vou postar esse texto e tentar dormir, pois uma enfermeira acaba de me enfiar goela a baixo dois comprimidos, um deles, sedativo. Boa noite.
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